Depois de começar a emagrecer, fui chamado pra trabalhar na televisão! Na minha cabeça logo veio a idéia de ficar rico, de ser conhecido nas ruas, de dar autógrafos..Foi aí que eu percebí que ninguém dá moral pra quem só serve cafézinho!
Virei o melhor amigo do dono da TV. Mais amigo ainda do saco dele. Eu puxava mais o saco dele do que o Arruda colocava dinheiro na meia! Chegava a ficar com a mão doendo! Mas um dia, carregando uns materiais pra lá e pra cá ele veio até a mim e disse: “Haeckel! Eu estava reparando o seu dinamismo e agilidade…acho que vou colocar você pra trabalhar na frente das câmeras!!!”

Ele não estava mentindo e foi aí que eu comecei a trabalhar como montador de cenário. Um dia, pregando uma tapadeira no estúdio, a equipe estava se preparando pra gravar um quadro desses que exibem a agenda cultural da semana. Um câmera
olhou pra mim e disse:
_”Ô, gordinho…”
_”Eu?! – Sínico pra cacete!
_”Não! Gordinho é o João! Você é gordo pra caralho!”
_”Tá ficando louco, seu viado fidaputa? Me respeita, cara!!!” – É tão fácil ser machão no pensamento.
De repente ele atende o telefone:
_”O que? Não vai vir pra gravação? Tá passando mal? Putamerda! Mas quem vou colocar no seu lugar?”
Eu ouvia a conversa doido pra que ele chamasse o meu nome. E foi o que aconteceu!
_”Haeckel…”
_”Oi!” – Sorrindo e fazendo cara de galã de cinema. Na verdade eu queria mostrar que sou fotogênico (tá! Não sou!)
_”…Pega um cafézinho pra miM!”
Fui pegar o café e mesmo sem ele querer, fui pra frente da câmera e comecei a falar a agenda da semana. Depois de levar muito esporro, ele acabou gostando e passei a fazer um quadro na TV. Pouco tempo depois (mais ou menos 6 meses), ganhei um programa de clipes musicais.

Era muito bacana receber ligações e ouvir o telespectador dizer: “Faaaala, cara! Sou seu fã! Te acompanho desde o começo da sua carreira! É um grande prazer falar com você, João Gordo!”
O programa rolava bem. Mas comecei a ter uns desentendimentos na TV. Muita coisa me chateava lá! Por exemplo o salário.
Na verdade era a falta dele que me deixava puto! Mas como todo bom trabalhador brasileiro, mesmo tomando bolada nas costas, continuei trabalhando. Até que um dia não deu mais. Não por minha vontade, mas por vontade do chefe.
E sabe como é, quando o patrão te demite, a única escolha que você tem é a porta por onde você vai sair. Nesse meio tempo que fiquei na TV, tinha parado de fazer academia. Não dava tempo. Ao sair de lá, voltei a me exercitar e conhecí uma menina que iria mexer com o meu coração. E não estou referindo à minha cardiologista!
Haeckel largando a churrascaria pra tentar comer uma chuleta? Não perca o episódio de amanhã!